Dia: 24 de agosto de 2026

  • Educar para a liberdade e para a vida


    Sou filho de uma professora, irmão de outra professora e, há alguns anos, me casei com uma professora.

    Conviver com professoras é descobrir que a aula começa muito antes de o aluno entrar na sala. Ela começa no planejamento feito à noite, nos materiais preparados com cuidado, nas avaliações corrigidas quando a casa já está em silêncio e na preocupação que acompanha o professor mesmo depois do fim do expediente.

    Hoje vejo isso de perto com a Lettícia. Vejo a dedicação, o cansaço e a responsabilidade de quem sabe que uma palavra dita em sala pode permanecer na memória de uma criança por muitos anos.

    Talvez por isso me incomode tanto a forma como os professores vêm sendo desvalorizados. Exigimos que enfrentem problemas cada vez maiores, mas frequentemente lhes entregamos pouca estrutura, pouco reconhecimento e quase nenhum apoio.

    Também aprendi, na educação dos meus filhos, que a formação começa em casa. É na família que a criança conhece os primeiros limites, aprende a respeitar o outro e percebe que toda escolha traz consequências. A escola amplia essa formação: ensina conteúdos, apresenta o mundo e ajuda a preparar cada aluno para viver em sociedade.

    Família e escola precisam caminhar na mesma direção, com confiança e responsabilidades bem definidas.

    A sala de aula deve ser um lugar de conhecimento, reflexão e liberdade intelectual. Quando o ensino se transforma em instrumento de ideologização, o aluno perde a oportunidade de aprender a pensar por si mesmo. Quero uma educação que apresente ideias com honestidade, valorize o diálogo e forme jovens capazes de argumentar, discordar com respeito e tomar suas próprias decisões.

    Preocupa-me igualmente o abandono escolar. Raramente um jovem deixa a escola de uma hora para outra. Antes disso, vêm as faltas, as dificuldades acumuladas, a perda de interesse e a sensação de que estudar já não mudará o seu futuro. O poder público precisa identificar esses sinais cedo, acompanhar as famílias e agir antes que a cadeira vazia se torne mais uma estatística.

    Defendo a valorização dos professores, com formação continuada, melhores condições de trabalho e reconhecimento por resultados. Quero ampliar projetos de leitura, levar a educação financeira para a vida cotidiana dos alunos e fortalecer o esporte no contraturno. Um livro pode abrir horizontes; uma boa orientação financeira pode evitar anos de endividamento; uma quadra ocupada pode ensinar disciplina, convivência e perseverança.

    Também proponho identificar escolas públicas que já alcançam bons resultados e transformar suas experiências em referências para toda a rede. O CEM 03 de Taguatinga, que levou dezenas de estudantes à universidade¹, mostra que a escola pública pode ser motivo de orgulho quando existe liderança, método e uma comunidade comprometida. Boas práticas precisam ser reconhecidas, avaliadas e multiplicadas.

    A educação deve formar pessoas preparadas para o trabalho e para a cidadania. Pessoas que saibam ler bem, raciocinar, cumprir deveres, conhecer seus direitos e assumir responsabilidade pela própria vida. Disciplina, nesse sentido, não diminui a liberdade; dá ao jovem as ferramentas para conduzi-la.

    Tenho esperança na educação porque vejo diariamente o que acontece quando uma criança encontra adultos que acreditam nela. Uma família presente, um professor valorizado, uma escola organizada e oportunidades dentro e fora da sala podem mudar uma vida inteira.

    É por isso que quero trabalhar para que essa possibilidade alcance cada criança do Distrito Federal, independentemente do lugar onde nasceu.


    ¹ https://www.correiobraziliense.com.br/euestudante/educacao-basica/2026/02/7353054-escola-publica-de-taguatinga-aprova-92-alunos-em-universidades-publicas.html

  • O direito de viver sem medo

    Comecei a cursar Direito porque queria ser delegado de polícia. Na época, o caminho exigia a formação e alguns anos de prática jurídica. Eu já servia ao Exército e imaginava continuar protegendo as pessoas, apenas com outra farda e em outra missão.

    Durante a faculdade, meus planos mudaram. Vivi algumas desilusões com o Exército, embora tenha preservado o respeito profundo pela instituição e por aqueles que a servem. Ao fim do curso, já estava decidido a advogar. Mas os sete anos dentro de uma força armada ficaram em mim: aprendi que segurança exige preparo, disciplina, inteligência e, acima de tudo, pessoas dispostas a assumir responsabilidades.

    Hoje, como pai, enxergo o assunto de outro lugar. Segurança é poder ver os filhos brincando sem que o medo esteja sempre à espreita. É uma família voltar para casa à noite sem calcular cada esquina. É o comerciante trabalhar sem se acostumar com a possibilidade de ser assaltado. Quando a população muda seus hábitos por medo, o crime já ocupou um espaço que deveria pertencer aos cidadãos.

    Também me preocupa ver as drogas avançando sobre nossos jovens e destruindo famílias inteiras. Esse problema exige repressão firme ao tráfico, mas também prevenção. Uma quadra iluminada, um treinador presente, uma escola ativa e uma comunidade ocupando seus espaços podem alcançar um jovem antes que o crime o alcance. É por isso que insisto tanto no esporte como instrumento de oportunidade e proteção.

    Defendo a valorização das nossas forças de segurança, com melhores condições de trabalho, treinamento e respeito institucional. Quem sai de casa para proteger a sociedade precisa encontrar um Estado que ofereça estrutura, tecnologia e respaldo para agir dentro da lei. Precisamos também integrar melhor as forças, investir em inteligência e concentrar recursos nos locais onde a criminalidade mais afeta a vida das pessoas.

    Segurança pública se faz com presença policial, investigação eficiente e punição para quem escolhe o crime. Mas também se faz recuperando praças, iluminando ruas, fortalecendo famílias e oferecendo caminhos aos nossos jovens. Repressão e prevenção precisam caminhar juntas, cada uma cumprindo o seu papel.

    Quero um Distrito Federal em que as famílias voltem a ocupar as ruas e os criminosos saibam que encontrarão uma polícia preparada e uma justiça firme. A cidade pertence a quem trabalha, cria seus filhos e constrói uma vida honesta. É a essas pessoas que o poder público deve devolver a tranquilidade de viver sem medo.

  • A saúde não pode esperar!

    Durante muito tempo, a saúde pública foi, para mim, um daqueles grandes assuntos sobre os quais discutimos com números, filas e promessas. Até o dia em que a doença entrou na minha família, no rosto do meu sobrinho.

    Ele teve câncer e precisou de um transplante. Minha irmã doou parte do próprio fígado para salvar o filho. Por pouco, não fui eu quem fez a doação. Naquelas horas, tudo o que parecia importante ficou pequeno. Restaram a fé, a família e a esperança de que a medicina pudesse fazer a sua parte.

    Para realizar o tratamento, eles precisaram ir a São Paulo. Brasília, capital do país, ainda não possui um hospital especializado em câncer capaz de oferecer toda a estrutura necessária a casos como o dele. Quantas famílias enfrentam a doença e, além do medo, precisam carregar malas, deixar a própria casa e procurar longe o cuidado que deveriam encontrar aqui?

    A precariedade da saúde também aparece nos corredores lotados, nos equipamentos que não funcionam, na demora por exames e na exaustão dos profissionais. Recursos existem, mas muitas vezes são consumidos pela má gestão, pelo desperdício, pela falta de planejamento, pela corrupção.

    E quem paga essa conta é sempre quem não pode esperar.

    Defendo uma saúde que cuide antes que a doença se agrave. Isso passa por atenção básica, exames no tempo certo, tecnologia, telemedicina e valorização de quem trabalha na linha de frente. Passa também pelo esporte, porque investir em atividade física e prevenção significa evitar doenças, aliviar hospitais e oferecer mais qualidade de vida.

    O candidato do Novo ao governo, Kiko Caputo, tem uma proposta de criar um Hospital do Câncer em Brasília; o que, para mim, tem um significado muito concreto. Sei o que uma estrutura assim representa para uma família quando cada dia importa. Quero ajudar a transformar essa proposta em realidade e fiscalizar para que o dinheiro da saúde chegue aonde realmente precisa chegar.

    Meu sobrinho venceu aquela batalha. Muitas outras famílias ainda estão lutando. E é por elas que acredito em uma política capaz de administrar melhor, prevenir mais e cuidar com humanidade. Porque, quando a saúde falha, ninguém deveria precisar atravessar o país para encontrar esperança.

  • A “velha política”

    A “velha política” tem esse nome não apenas porque é antiga, mas porque envelheceu mal.


    Ela apodreceu nos gabinetes fechados, nas promessas feitas com entusiasmo e esquecidas com pontualidade, nos favores que substituem princípios, nos acordos que ninguém explica
    direito.


    Envelheceu nessa estranha convicção de que o eleitor deve se contentar em escolher, a cada quatro anos, quem administrará a mesma máquina, do mesmo jeito, com os mesmos
    vícios, apenas trocando os retratos nas paredes.


    Eu não entrei na política para aprender a conviver com isso.


    Talvez eu ainda carregue comigo certa ingenuidade (e se for isso, espero carregá-la por muito tempo). Ainda acredito que dinheiro público é dinheiro de alguém. Do trabalhador que
    acorda cedo, da mãe que organiza as contas de casa, do pequeno empresário que luta para manter as portas abertas. Quando o Estado desperdiça um real, esse real não nasceu
    numa árvore atrás do Palácio do Buriti. Alguém trabalhou por ele.


    Também não consigo aceitar como natural a ideia de que um mandato precise servir para criar dependências. O político ajuda uma associação, consegue um favor, entrega alguma
    coisa e espera fidelidade em troca. Forma-se uma espécie de clientela eleitoral permanente.


    Eu prefiro outra lógica.


    Ser contra a velha política não pode ser apenas uma frase bonita de campanha. Se fosse só trocar os personagens, bastaria esperar a próxima eleição. O que precisa mudar é o
    método.


    Quero defender um Distrito Federal em que o dinheiro público seja tratado com rigor, em que emendas tenham critérios claros, em que resultados possam ser medidos e em que
    programa ruim seja encerrado, ainda que renda fotografia bonita. Quero menos cargos usados como prêmio, menos estruturas criadas para acomodar aliados e menos governo
    querendo decidir aquilo que famílias, comunidades, Igrejas, empresas e cidadãos conseguem resolver melhor por conta própria.


    E quero uma política que volte a olhar para coisas concretas.


    Uma quadra abandonada pode virar esporte para centenas de crianças. Uma ciclovia bem conectada pode devolver tempo e segurança a quem se desloca. Um treinador apoiado no
    lugar certo pode mudar o destino de uma geração inteira. Uma escola que funciona pode servir de referência para outras dez. Não são obras monumentais para inauguração com placa de bronze. Talvez justamente por isso me interessem.


    A velha política gosta muito de anunciar quanto gastou.


    Eu prefiro perguntar o que mudou.

    Quantas crianças começaram a praticar esporte? Quantas pessoas voltaram a usar aquele espaço público? Quanto o governo economizou? Quantas famílias foram atendidas? O
    programa funcionou? Se não funcionou, por que continuamos pagando por ele?


    São perguntas simples. E talvez exista algo profundamente novo em voltar a fazê-las.


    Não tenho a pretensão de dizer que sozinho vou mudar a política. Seria, aliás, uma promessa bastante parecida com aquelas que critico. Mas posso assumir um compromisso
    mais modesto e, justamente por isso, mais sério: não me acostumar.


    Não me acostumar com desperdício porque “sempre foi assim”. Não me acostumar com privilégios porque “todo mundo faz”. Não aceitar uma ideia ruim porque veio de um aliado,
    nem rejeitar uma boa porque veio de um adversário.


    Há coisas que envelhecem bem: um vinho, uma árvore, um livro, uma amizade, certos
    conselhos de pai.


    A velha política não está entre elas.


    E se resolvi entrar nessa disputa, foi também porque acredito que já passou da hora de
    renovar.