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  • Por que escolhi o Novo?

    Por que escolhi o Novo?

    Há decisões que vão sendo amadurecidas, treinadas dentro de nós, como quem bate embaixadinha sozinho antes de ir pra pelada. Um toque aqui, uma leitura ali, uma conversa, uma eleição, uma decepção, outra esperança. Quando se vê, aquilo que parecia apenas simpatia virou convicção.

    Comigo, o Novo começou assim. Em 2018, quando João Amoêdo foi candidato à Presidência, fiquei curioso com o candidato de maior patrimônio. Mas havia ali algo ainda mais raro na política brasileira: uma verdadeira tentativa de mudar o jogo. O discurso contra privilégios, a defesa de quem não veio das velhas máquinas partidárias, a ideia de renovar a política de verdade (não apenas trocar a camisa do mesmo time), tudo isso me convenceu.

    Depois li Sem Atalho, e gostei muito. Em 2022, discordei frontalmente do apoio do Amoêdo a Lula no segundo turno. Mas não seria honesto jogar fora tudo o que aprendi com a fundação do Novo por uma divergência posterior. Na vida pública, como no futebol, é preciso distinguir o jogador, o lance e o clube.

    Há, no Novo, uma intuição que me parece correta: o Brasil precisa parar de tratar o Estado como benefício de alguns e conta de todos. Combater privilégios, abrir espaço a quem nunca viveu da política e lembrar que dinheiro público não nasce em Brasília: sai do bolso de alguém que acordou cedo.

    Esse ponto me toca.

    No fim de 2025, eu vinha estudando a Doutrina Social da Igreja Católica, e encontrei o que me ajudou a decidir. A Igreja não nos chama a escolher entre um Estado-pai que tudo absorve e um mercado sem alma que tudo devora. Ela fala de dignidade humana, família, subsidiariedade, solidariedade, bem comum.

    Foi aí que compreendi melhor a minha posição: a política, bem vivida, é uma forma de caridade pública, “uma expressão qualificada e exigente do compromisso cristão ao serviço dos outros” (CDSI, 565).

    Romeu Zema, hoje, representa uma liderança importante. Não porque eu acredite em salvador da pátria. Aliás, desconfio muito de quem é tratado assim. Mas Zema tem demonstrado muita disposição para defender sua posição independente. O gesto de não usar o Palácio das Mangabeiras, por exemplo, fala mais alto do que qualquer discurso inflamado.

    A política brasileira, por muitos anos, se acostumou a vender um espetáculo e entregar um 0x0. Deixou o cidadão na fila, o empreendedor sufocado, a família insegura e o pobre preso a promessas que nunca viram emancipação.

    E, ainda assim, continuamos discutindo política como se tudo fosse apenas Fla-Flu: esquerda contra direita, nós contra eles, santos contra demônios.

    Eu não entrei na política para isso.

    Entrei porque percebi que a indignação de sofá já não bastava. Que reclamar do juiz pela televisão é fácil; difícil é calçar a chuteira. Que a vida pública, apesar de suas misérias, ainda pode (na verdade, precisa!) ser um lugar de serviço. E que, se homens comuns não entram em campo, o jogo fica entregue aos profissionais do atraso.

    Escolhi o Novo porque encontrei o espaço mais coerente para defender aquilo que acredito. Tenho consciência que não escolhi um partido perfeito. Nenhum é. Mas escolhi um time no qual acredito que vale a pena jogar.

    Às vésperas de uma Copa do Mundo, há quem prefira comentar do sofá. Há quem espere o craque providencial. Há quem só entre quando o placar já está definido.

    A minha pretensão não é astronômica: não sou um artilheiro consagrado, nem dono da bola.

    Sou apenas alguém que ouviu um chamado, fez o sinal da cruz na beira do gramado, e decidiu entrar em campo. Eis-me aqui.