A “velha política”

A “velha política” tem esse nome não apenas porque é antiga, mas porque envelheceu mal.


Ela apodreceu nos gabinetes fechados, nas promessas feitas com entusiasmo e esquecidas com pontualidade, nos favores que substituem princípios, nos acordos que ninguém explica
direito.


Envelheceu nessa estranha convicção de que o eleitor deve se contentar em escolher, a cada quatro anos, quem administrará a mesma máquina, do mesmo jeito, com os mesmos
vícios, apenas trocando os retratos nas paredes.


Eu não entrei na política para aprender a conviver com isso.


Talvez eu ainda carregue comigo certa ingenuidade (e se for isso, espero carregá-la por muito tempo). Ainda acredito que dinheiro público é dinheiro de alguém. Do trabalhador que
acorda cedo, da mãe que organiza as contas de casa, do pequeno empresário que luta para manter as portas abertas. Quando o Estado desperdiça um real, esse real não nasceu
numa árvore atrás do Palácio do Buriti. Alguém trabalhou por ele.


Também não consigo aceitar como natural a ideia de que um mandato precise servir para criar dependências. O político ajuda uma associação, consegue um favor, entrega alguma
coisa e espera fidelidade em troca. Forma-se uma espécie de clientela eleitoral permanente.


Eu prefiro outra lógica.


Ser contra a velha política não pode ser apenas uma frase bonita de campanha. Se fosse só trocar os personagens, bastaria esperar a próxima eleição. O que precisa mudar é o
método.


Quero defender um Distrito Federal em que o dinheiro público seja tratado com rigor, em que emendas tenham critérios claros, em que resultados possam ser medidos e em que
programa ruim seja encerrado, ainda que renda fotografia bonita. Quero menos cargos usados como prêmio, menos estruturas criadas para acomodar aliados e menos governo
querendo decidir aquilo que famílias, comunidades, Igrejas, empresas e cidadãos conseguem resolver melhor por conta própria.


E quero uma política que volte a olhar para coisas concretas.


Uma quadra abandonada pode virar esporte para centenas de crianças. Uma ciclovia bem conectada pode devolver tempo e segurança a quem se desloca. Um treinador apoiado no
lugar certo pode mudar o destino de uma geração inteira. Uma escola que funciona pode servir de referência para outras dez. Não são obras monumentais para inauguração com placa de bronze. Talvez justamente por isso me interessem.


A velha política gosta muito de anunciar quanto gastou.


Eu prefiro perguntar o que mudou.

Quantas crianças começaram a praticar esporte? Quantas pessoas voltaram a usar aquele espaço público? Quanto o governo economizou? Quantas famílias foram atendidas? O
programa funcionou? Se não funcionou, por que continuamos pagando por ele?


São perguntas simples. E talvez exista algo profundamente novo em voltar a fazê-las.


Não tenho a pretensão de dizer que sozinho vou mudar a política. Seria, aliás, uma promessa bastante parecida com aquelas que critico. Mas posso assumir um compromisso
mais modesto e, justamente por isso, mais sério: não me acostumar.


Não me acostumar com desperdício porque “sempre foi assim”. Não me acostumar com privilégios porque “todo mundo faz”. Não aceitar uma ideia ruim porque veio de um aliado,
nem rejeitar uma boa porque veio de um adversário.


Há coisas que envelhecem bem: um vinho, uma árvore, um livro, uma amizade, certos
conselhos de pai.


A velha política não está entre elas.


E se resolvi entrar nessa disputa, foi também porque acredito que já passou da hora de
renovar.

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