O direito de viver sem medo

Comecei a cursar Direito porque queria ser delegado de polícia. Na época, o caminho exigia a formação e alguns anos de prática jurídica. Eu já servia ao Exército e imaginava continuar protegendo as pessoas, apenas com outra farda e em outra missão.

Durante a faculdade, meus planos mudaram. Vivi algumas desilusões com o Exército, embora tenha preservado o respeito profundo pela instituição e por aqueles que a servem. Ao fim do curso, já estava decidido a advogar. Mas os sete anos dentro de uma força armada ficaram em mim: aprendi que segurança exige preparo, disciplina, inteligência e, acima de tudo, pessoas dispostas a assumir responsabilidades.

Hoje, como pai, enxergo o assunto de outro lugar. Segurança é poder ver os filhos brincando sem que o medo esteja sempre à espreita. É uma família voltar para casa à noite sem calcular cada esquina. É o comerciante trabalhar sem se acostumar com a possibilidade de ser assaltado. Quando a população muda seus hábitos por medo, o crime já ocupou um espaço que deveria pertencer aos cidadãos.

Também me preocupa ver as drogas avançando sobre nossos jovens e destruindo famílias inteiras. Esse problema exige repressão firme ao tráfico, mas também prevenção. Uma quadra iluminada, um treinador presente, uma escola ativa e uma comunidade ocupando seus espaços podem alcançar um jovem antes que o crime o alcance. É por isso que insisto tanto no esporte como instrumento de oportunidade e proteção.

Defendo a valorização das nossas forças de segurança, com melhores condições de trabalho, treinamento e respeito institucional. Quem sai de casa para proteger a sociedade precisa encontrar um Estado que ofereça estrutura, tecnologia e respaldo para agir dentro da lei. Precisamos também integrar melhor as forças, investir em inteligência e concentrar recursos nos locais onde a criminalidade mais afeta a vida das pessoas.

Segurança pública se faz com presença policial, investigação eficiente e punição para quem escolhe o crime. Mas também se faz recuperando praças, iluminando ruas, fortalecendo famílias e oferecendo caminhos aos nossos jovens. Repressão e prevenção precisam caminhar juntas, cada uma cumprindo o seu papel.

Quero um Distrito Federal em que as famílias voltem a ocupar as ruas e os criminosos saibam que encontrarão uma polícia preparada e uma justiça firme. A cidade pertence a quem trabalha, cria seus filhos e constrói uma vida honesta. É a essas pessoas que o poder público deve devolver a tranquilidade de viver sem medo.

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