Educar para a liberdade e para a vida


Sou filho de uma professora, irmão de outra professora e, há alguns anos, me casei com uma professora.

Conviver com professoras é descobrir que a aula começa muito antes de o aluno entrar na sala. Ela começa no planejamento feito à noite, nos materiais preparados com cuidado, nas avaliações corrigidas quando a casa já está em silêncio e na preocupação que acompanha o professor mesmo depois do fim do expediente.

Hoje vejo isso de perto com a Lettícia. Vejo a dedicação, o cansaço e a responsabilidade de quem sabe que uma palavra dita em sala pode permanecer na memória de uma criança por muitos anos.

Talvez por isso me incomode tanto a forma como os professores vêm sendo desvalorizados. Exigimos que enfrentem problemas cada vez maiores, mas frequentemente lhes entregamos pouca estrutura, pouco reconhecimento e quase nenhum apoio.

Também aprendi, na educação dos meus filhos, que a formação começa em casa. É na família que a criança conhece os primeiros limites, aprende a respeitar o outro e percebe que toda escolha traz consequências. A escola amplia essa formação: ensina conteúdos, apresenta o mundo e ajuda a preparar cada aluno para viver em sociedade.

Família e escola precisam caminhar na mesma direção, com confiança e responsabilidades bem definidas.

A sala de aula deve ser um lugar de conhecimento, reflexão e liberdade intelectual. Quando o ensino se transforma em instrumento de ideologização, o aluno perde a oportunidade de aprender a pensar por si mesmo. Quero uma educação que apresente ideias com honestidade, valorize o diálogo e forme jovens capazes de argumentar, discordar com respeito e tomar suas próprias decisões.

Preocupa-me igualmente o abandono escolar. Raramente um jovem deixa a escola de uma hora para outra. Antes disso, vêm as faltas, as dificuldades acumuladas, a perda de interesse e a sensação de que estudar já não mudará o seu futuro. O poder público precisa identificar esses sinais cedo, acompanhar as famílias e agir antes que a cadeira vazia se torne mais uma estatística.

Defendo a valorização dos professores, com formação continuada, melhores condições de trabalho e reconhecimento por resultados. Quero ampliar projetos de leitura, levar a educação financeira para a vida cotidiana dos alunos e fortalecer o esporte no contraturno. Um livro pode abrir horizontes; uma boa orientação financeira pode evitar anos de endividamento; uma quadra ocupada pode ensinar disciplina, convivência e perseverança.

Também proponho identificar escolas públicas que já alcançam bons resultados e transformar suas experiências em referências para toda a rede. O CEM 03 de Taguatinga, que levou dezenas de estudantes à universidade¹, mostra que a escola pública pode ser motivo de orgulho quando existe liderança, método e uma comunidade comprometida. Boas práticas precisam ser reconhecidas, avaliadas e multiplicadas.

A educação deve formar pessoas preparadas para o trabalho e para a cidadania. Pessoas que saibam ler bem, raciocinar, cumprir deveres, conhecer seus direitos e assumir responsabilidade pela própria vida. Disciplina, nesse sentido, não diminui a liberdade; dá ao jovem as ferramentas para conduzi-la.

Tenho esperança na educação porque vejo diariamente o que acontece quando uma criança encontra adultos que acreditam nela. Uma família presente, um professor valorizado, uma escola organizada e oportunidades dentro e fora da sala podem mudar uma vida inteira.

É por isso que quero trabalhar para que essa possibilidade alcance cada criança do Distrito Federal, independentemente do lugar onde nasceu.


¹ https://www.correiobraziliense.com.br/euestudante/educacao-basica/2026/02/7353054-escola-publica-de-taguatinga-aprova-92-alunos-em-universidades-publicas.html

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